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As Escolas Dom Bosco de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais, situadas a 1100 metros de altitude, no Município de Ouro Preto, tem sua história ligada a construção de um quartel da Cavalaria denominada “Os Dragões”. Desde 1643, as terras altas na abertura do Rio Doce, já eram penetradas pelas autoridades militares da Colônia de Portugual. A fundação da povoação de Cachoeira, deu-se em 1705, no topo do então “Caminho de Itaverava”, um dos “Caminhos dos Currais”, em demanda da Bahia. Em 1708, no então chamado povoado de “Nossa Senhora de Nazaré dos Campos de Minas” deu-se a sangrenta luta, “ a guerra dos Emboabas”.

Curioso! A matança dos paulistas se deu no local chamado “Jardim”, onde hoje se acha situado o “Oratório Festivo Salesiano”, no alto da colina oposta a do povoado. E as margens, pelo lado direito do córrego, hoje o Ribeirão do Maracujá, erguia-se um fortim dominando as redondezas, era de terra batida e nele se encontrava uma pequena guarnição. Era um ponto estratégico e Dom Pedro de Almeida, Conde de Assumar, em 1720 ampliou a fortificação, construindo-as de pedra, instalando ainda dois pequenos canhões.

Foi no governo do Conde de Assumar que se achava a frente das Capitanias unidas de Minas a São Paulo, que eclodiu a sedição de Vila Rica, em 28 de junho se 1720 e que terminou com a prisão, em Cachoeira do Campo no adroz da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, do tribuno popular, Felipe dos Santos Freire.

Após o acontecimento, Dom Pedro de Almeida, em carta régia de 30 de agosto de 1720, pretendeu mudar a capital da Província de Mariana (onde residiu) para Cachoeira do Campo, onde os governadores, capitães, generais passariam a residir, e onde instalaria uma casa de fundição.

Como a carta régia de 18 de janeiro de 1719 tinha criado as Companhias dos Dragões, e Cachoeira, além do clima ameno tinha campos dilatados, pastos de cavalos e facilidade de operações contra levante e emboscadas, Dom Pedro de Almeida mandou levantar, com urgência, um quartel em Cachoeira e projetado por José Rodrigues de Oliveira, onde hoje se acha o prédio do Orfanato das Irmãs Salesianas, (no lado direito da porta de entrada e no exterior ainda se pode ler “VIVA JOSÈ – 1730 – ROIZ - A. OR!”).

Em 1735, as terras de Cachoeira tornaram-se sede unida do governo civil e militar de Vila Rica. A construção da casa palaciana e quartel de cavalaria denominados “Dragões” foi obra de Dom Martinho Mendonça, em 1736. Já o Conde de Valadares, Dom José Luiz de Menezes, em exercício, em 16 de julho de 1768, fez ampliações nesses prédios do palácio e quartel, para se ter de prontidão os pastos começara a se tornar insuficientes. O governador Dom Antônio de Noronha iniciou, em 1775, novas ampliações nos prédios para o quartel poder abrigar 40 argolas nelas permanentes 40 cavalos, no triplo das montarias, os cavaleiros – soldados ou Dragões. Foi nessa época que se pensou na construção também do outro quartel, onde se achava o fortim, no outro lado da Vila à margem direita do Ribeirão e que se concluiu, em 1779. Ainda hoje se acha um escudo de pedra sabão que foi descolado do portal para o cunhal esquerdo da atual construção, com os seguintes dizere: “ESTA OBRA MANDOU FAZER O ILMO E ESMO SENHOR D.ANTÔNIO DE NORONHA g. E CAPÃO GERAL DESTA CAPINA. ANNO 1779”.

A casa Palaciana foi, a partir desta ocasião e a partir de Dom Rodrigo José de Menezes, Conde de cavaleiros e com sua esposa a Condessa Dª Maria José Ferreira, transformada em palácio de recreio e repouso, e foi residência sucessiva de Dom Luiz da Cunha, Conde de Lumiares. De Dom Luiz Antônio Furtado do Castro do Rio de Mendonça, Visconde de Barbacena, a partir de 1784 (nesta época, os conjurados da Inconfidência Mineira, em 1789, se referiam como a do “General de Cachoeira”. Ainda nesta época, no dia 13 de março de 1789, Joaquim Silvério dos Reis, fez verbalmente a denúncia da conspiração e depois, por escrito, redigida em Borda do Campo e a 21 de abril do mesmo ano, entregava pessoalmente ao, governador, em Cachoeira). De 1793 a 1804, o palácio foi residência de férias de Dom Fernando de Lorena, Conde de Sarzedo e de Dom Pedro Ataídes de Melo, Visconde de Condeixa.

Em 1816, nas terras do núcleo colonial e nos prédios, se efetuaram os serviços reais de adaptações para a “Coudelaria Imperial” de Cachoeira do Campo, o que se deu a 29 de julho de 1819. Em 1832, as terras e prédios da Coudelaria foram postos a serviço de estrada, colonização e mineração, sob a regência do Marques de Caravelas, Dom José Carneiro de Campos, sucedendo a Dom Pedro I.

Quando em 1834 seguiu para o Rio, o Regimento cavalaria de Minas Gerais transformando em Primeiro Corpo de Cavalaria do Exército, o velho casarão de Dom Antônio de Noronha já sentira os estragos do tempo e do abandono. A Coudelaria real já tinha sido abandonada, e em poucos anos começaram as ruínas a se mostrarem no alto da colina. O matagal invadia o seu interior, parecia um dos sinistros castelos da Idade Média. As matas nos arredores eram densas e tornaram concluio de feras que assustavam os transeuntes.

Em 1854, o Parlamento Brasileiro doou à Província de Minas as terras e prédios, como núcleo colonial da cidade de Ouro Preto.

Em 1858, junto as autoridades da Província de Minas, se fizeram projetos de ensino rural, fazenda modelar e indústrias para as terras e prédios do núcleo colonial, projetos idealizados anteriormente pelo Marquês de Caravelas, quando o Presidente da Província, Dom Carneiro de Campos. Em 1872, nos mesmos projetos de colonização e indústrias rurais, procedeu-se a medição em loteamentos, constituindo estes uma Colônia Agrícola em Cachoeira do Campo, para “imigrantes espanhóis”, ou seja, “ A colônia Agrícola Cesário Alvim”. Diga-se de leve, que esta colônia não prosperou.

Em 1883, Dom Luiz Felipe de Orleans, Conde D’Eu, esposo da Princesa Isabel, genro de Dom Pedro II, encontrou-se com Dom Bosco, em Paris e em nome do sogro, fez a Dom Bosco, o convite de vir para a colonização, a missão salesiana.

Em 1888, o Imperador, Dom Pedro II confirmou a doação do Parlamento de 1854.

Em 1889, o regime republicano repetiu a confirmação, como “ Próprio Estadual”.

Em 1893, em 22 de maio, foi sansionada pelo Presidente Afonso Pena, a lei Estadual Nº 43, concedendo as terras, prédios e subvenção da quantia de 30.000S000, aos salesianos.

O prédios em ruínas, foi reconstruído em pouco tempo e ampliado, pelo Pe. Agostinho Crucifixo Zanellas. A mobília quase toda feita no local.

Em 1895, o colégio já estava pronto para receber o fundador, Dom Luiz Lasagna, quando se soube da trágica morte do ilustre prelado, em Juiz de Fora, num encontro de trens, na estação de Procópio, aos 06 de novembro de 1895.

Somente aos 24 de maio de 1896 é que se deu a inauguração oficial do estabelecimento, como Escola Agrícola. Neste ínterim, até 1901 (data da equiparação do estabelecimento), os alunos prestavam exames perante estabelecimentos oficiais. Pela primeira vez que os alunos apresentaram exames perante o Ginásio Mineiro, obtiveram, em 24 exames, 24 aprovações, em agosto de 1897. Em maio de 1898, em 53 exames prestados, o estabelecimento obteve 53 aprovações. Em novembro do mesmo ano, em 91 exames, 77 aprovações.

No Diário Oficial de Minas, 01/08/1900, lê-se: “Perante a ilustrada corporação docente do Gynásio Mineiro acaba de prestar exames de diversas disciplinas, uma turma de alunos daquele colégio e os magníficos resultados obtidos provam ainda uma vez o zelo e competência daqueles distintos educadores da mocidade. Em 27 exames prestados tiveram apenas 2 reprovações”.

Depois de quatro anos de existência, o Colégio obteve sua equiparação ao Ginásio Nacional, continuando ainda a escola agrícola, de 3 anos. A data da equiparação, pelo governo federal foi a 20/04/1901. Também a Escola Agrícola fora reconhecida.

No “Correio de Minas”, Abril de 1901, lê-se “Referencia aos títulos de agrônomo, conferidos legalmente pelas Escolas D. Bosco. Com maior satisfação damos publicidade ao decreto com que o Governo de Minas concede as regalias da oficialidade Escola Agrícola Salesiana de Cachoeira do Campo”. Pela lei Nº 731 de 1º de outubro “fica o governo autorizado a mandar registrar nas repartições estatais competentes os títulos de agrônomos conferidos pelas “Escolas D. Bosco”, de Cachoeira do Campo, revogadas as disposições em contrário”. Essa Escola, que acaba de ser oficialmente reconhecida, é uma das mais antigas escolas agrícolas do Estado e é devida à fecunda iniciativa do inolvidável e apostólico D. Luiz Lasagna, vítima do desastre de Juiz de Fora em 1894, quando demandava a cidade de Ouro Preto, para a fundação oficial da mesma Escola. Desde aquela data tem sido extraordinária e ponfiados os esforços dos padres salesianos no amanho da terra do antigo quartel de cavalaria de D.João VI sendo coroada dos mais lisongeiros resultados a labuta de quase cinco lustros, salientando-se nessa ação benéfica os nomes dos Padres Domingos Albanello e Domingos Satti. Merece os maiores elogios o ato do benemérito governo de Minas, que vem reconhecer em boa hora os serviços prestados á lavoura do Estado pelas Escolas “D.Bosco”, e traduz a confiança dos poderes públicos no ensino agronômico ministrados naquela Escola, merecedora por tantos títulos do aplauso geral. Enviamos prazenterios as nossas felicitações ao atual diretor da Escola, Pe. Carlos Peretto, a quem se deve uma grande parte o mérito dessa bela votória que vem honrar o ensino ministrado pelas Congregações religiosas. (Note-se que houve um pequeno engano por parte do Jornal, a morte do prelado se deu em 1895).

Em 1904, segundo crônicas das Escolas (24, 25 e 26 de maio), “A DIRETORIA DAS ESCOLAS D.BOSCO desejando dar maior desenvolvimento à agricultura, fim principal da fundação deste estabelecimento pede licença ao Governo Federal para desistir das prerrogativas de equiparação”. Ao que (Crônicas 08 de agosto). Em vista das razões expostas no ofício do Diretor do Governo Federal emanava hoje o seguinte decreto: Decreto Nº 5275 de 08 de agosto de 1904. Revogava o decreto Nº 3994, de 20 de abril de 1901, pelo qual foram concedidos às escolas Dom Bosco, em prerrogativas da equiparação ao Ginásio Nacional. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. Atendendo a que o Diretor das Escolas Dom Bosco, em Cachoeira do Campo, Estado de Minas Gerais, desistiu das prerrogativas da equiparação ao Ginásio Nacional, concedidas às escolas pelo decreto Nº 3994, 20 de abril de 1901, resolve revogar o mesmo decreto.

Rio de Janeiro, 08 de agosto de 1904, 16º da República.

Francisco de Paula Rodrigues Alves – J.J. Seabra/Minas Gerais, 14/08/1904.

Belo Horizonte, Domingo, 14 de agosto de 1904.

Em 1912 e 1913, ao lado da Escola Dom Agrícola, funcionaram as quatro séries do ginásio, reservadas aos alunos seminaritas salesianos e que depois se transferiam para Lavrinhas, no Estado de São Paulo.

Em 1920, as Escolas Dom Bosco comemoraram suas Bodas de Prata, com grandes e diversificadas solenidades. A elas aderiram várias e ilustres personagens civis, militares e religiosas, quer locais, quer estaduais como também federais. É oportuno transcrever, a maneira do pequeno histórico, as “observações”, feitas ao quadro de Estatística Geral das Escolas, desde 1806 até 1920: “Desde 1900 a 1904 inclusive, as “Escolas Dom Bosco” além dos cursos profissionais e agrícolas, tiveram ginásio equiparado que formou os seguintes bacharéis: Dr. Olyntho Martins da Silava, Dr. Edgard Franzen de Lima, Padre. Antônio de Almeida Lustosa, Dr. Herculino Pereira de Souza e professor Amâncio de Paula. Sendo fim principal da fundação das “Escolas Dom Bosco”, o ensino agrícola teórico – prático, a Diretoria, para dar-lhe maior impulso desistiu das regalias do ginásio, apesar dos seus ótimos resultados. Desde 1910 até hoje, todos os alunos do curso preliminar freqüentam o ensino agrícola no Campo Prático e os dos Cursos Agronômicos tem o ensino teórico prático de Agricultura. Desde 1896 até 1904 só havia um ano do Curso Agronômico, de 1905 a 1916, 1º e 2º anos de agronômico, de 1917 até hoje, vem funcionando o 1º, 2º, 3o anos agronômico”.

Escolas Dom Bosco, em Cachoeira do Campo (Minas), 23 de julho de 1920.
Pe. Carlos Peretto.

Em 1928, voltou o Colégio a ministrar, novamente, o ensino secundário, como um ato preparatório da festa com que se comemorou a beatificação de Dom Bosco, em 1929. Haja em vista, o nome de Dom Bosco, dado à entidade, desde o início, sedo este o primeiro estabelecimento, no mundo a receber o nome do grande apóstolo da juventude. Ao mesmo tempo, continuava, já em agonia, o curso de agronomia que desta data até sua extinção em 1933, conferia aos alunos, o título de “Engenheiros Agrônomos” e reconhecido pelo o governo do Estado. Depois de 1930, a agronomia passou a ser praticada por “doutores” de Borla e Capelo, no Rio de Janeiro. Uma das causas prováveis da decadência do curso de agronomia, em Cachoeira, talvez seja a instituição da Escola de Agronomia, pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, aos 08/08/1926, pelo então Presidente da República e filho de Viçosa, Dr. Arthur da Silva Bernardes. Mas tarde, outras se fundaram em Lavras, em Itajubá, em Minas Gerais, em Campinas, no Estado de São Paulo. O curso ginasial foi novamente reconhecido pelo Governo Federal, em 1933. Em 1929, terminou o “Movimento da Linha de Tiro”, iniciado nas Escolas Dom Bosco, desde o ano de 1923.

O reconhecimento do Curso ginasial, em 1933, pelo Governo Federal se deu aos 20 de dezembro de 1933, cujo decreto transcrevemos na íntegra: Decreto Nº 23617 – de 20 de dezembro de 1933, confere às Escolas D. Bosco, em Cachoeira do Campo, Estado de Minas Gerais a inspeção permanente e as prerrogativas do estabelecimento livre do ensino secundário.

O chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, usando das atribuições que lhe confere o art. 1o do decreto Nº 19398, de 11 de novembro de 1930, e atendendo ao que propõe o Conselho Nacional de Educação, no desempenho das funções que lhe são outorgadas pela legislação do ensino em vigor, resolve: Art. 1o – As Escolas D. Bosco, em Cachoeira do Campo, Estado de Minas Gerais, ficam conferidas, para o curso fundamental, a inspeção permanente e as prerrogativas de estabelecimento livre de ensino secundário, nos termos do art. 50 do referido decreto, revigorado o reconhecimento oficial dos exames nele prestados perante comissões examinadoras e dos certificados por ele expedidos na vigência da inspeção permanente.
Art. 2o – O presente decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogada as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 1933, 112o da Independência e 45o da República.
Getúlio Vargas
Washington F. Pires.

O decreto acima foi publicado no Diário Oficial de 6 de janeiro de 1934, á página 383.

De 1933, em diante, cessou por completo com o curso de Agronomia, permanecendo somente o Curso Ginasial, até nossos dias reconhecido pelas autoridades competentes.

Em 1974, já nos moldes da Lei Nº 5692, o Governo Estadual reconheceu seu funcionamento, pela Resolução 410/74 de 05/02/1974:
O Secretário do Estado da Educação de Minas Gerais, no luso de suas atribuições e tendo em vista o que dispõem o art. 74 da Lei Federal Nº 5692, de 11/08/71 e § 3o da Resolução nº 154, de 15/12/1972 do Conselho Estadual de Educação, resolve: Art. 1o – ficam reconhecidos ............, pela resolução Nº 410/74, as Escolas D. Bosco (Escola de 1o grau, da 5o a 8o série), de Cachoeira do Campo,
Art. 2o – Revogam-se das disposições em contrário.
Art. 3º - Estas resoluções entram em vigor na data de sua publicação.
Secretária de Estado da Educação, em Belo Horizonte, aos 31 de janeiro de 1974.
Agnelo Correia Vianna.
A resolução acima foi publicada no “Minas Gerais” aos 05 de fevereiro de 1974.